Retrômobilismo#38: Não varie, ela tem muito espaço! Variant era a opção da Volks antes da Brasília!


Quando a Volkswagen comprou a DKW e acabou com sua produção no Brasil, muitos consumidores ficaram órfãos de ter uma "perua" para ter espaço para a família. Foi assim que em Novembro de 1969 a Volkswagen lançava no Brasil a Variant, como station do 1600 "Zé do Caixão" tinha um visual melhor e agradou quem procurava uma station para comprar. Foi sucesso de vendas nos seus anos de mercado e conquistou aqueles que não tinham opção de compra, mas logo ficou "velha" com a chegada da moderna Ford Belina em 1970. A Variant chegava ao Brasil com motor 1.6 a ar que rendia 54cv de potência e 11kgfm de torque, acoplado com câmbio manual de 3 velocidades. Com esse motor a velocidade máxima chegava a 135km/h e assim como o 1600 4p, não era boa de estabilidade.


Com o motor 1.6 a Variant fazia média de 11km/l, média boa para a época, ainda mais quando a maioria dos veículos não passava de 10km/l. Na propaganda de lançamento na televisão, o protagonista que apresentava a station saía a procura de onde ficava o motor do carro, já que havia um porta-malas na frente e outro atrás -- juntos comportavam 640 litros, o que era uma boa capacidade. A Variant tinha três portas e acomodava cinco passageiros, com bancos dianteiros individuais. Com boa área envidraçada, os grandes vidros laterais traseiros traziam um quebra-vento para ventilar os passageiros do banco de trás e o motor. A primeira mudança viria em 1971 quando a Variant ganhava a mesma frente do sedan 1600 com faróis duplos e capô mais inclinado, o que lhe rendeu o apelido de "cabeça de bagre", já que tinha certa semelhança com o peixe.


Em 1973, a Variant ganhava ganha três saídas de ar na coluna C, perdia a janelinha lateral e ganha as lanternas traseiras maiores, mantendo esta configuração até 1977, quando saiu definitivamente de linha, abrindo espaço para a chegada da Variant II. Em 1974 novas mudanças chegavam à Variant como o volante, a padronagem dos bancos, e a manivela do vidro mudavam, bem como as calotas cromadas e a grade traseira passou a ser igual a da Brasilia. Ainda em 1974 a Variant chegava a 30.000 unidades e comemorava esse feito, já que o sedan 1600 não tinha nem passado das 25.000 unidades produzidas. Já em Dezembro de 1976 a fábrica comemorava a produção de 250.000 exemplares da Variant.


No mesmo ano ela recebeu os mesmos avanços de segurança do Brasília, mas suas linhas defasadas já pediam aposentadoria. Mudava novamente a frente que ficava igual à da Brasília e tinha design mais agressivo que deixou a Variant mais atual, mas "velha" perante as últimas novidades do segmento. Ainda em 1976 a Variant já não tinha o mesmo fôlego, mas a chegada da nova Variant em 1977 como linha 78, a mudança foi radical. A frente que já estava igual ao da Brasília se manteve, mas a moldura dos faróis passava a ser preta e não cinza como a Variant até 77 e da Brasília para diferenciar ambas para o consumidor. Lançada em Dezembro de 1977 a Variant II tinha como seu maior triunfo, a visibilidade que era tão boa quanto a anterior e media 4,33 metros, um ganho de 20cm a mais que a primeira geração. Mas não obteve o sucesso alcançado por esta e sua carreira foi até curta.


Com visual baseado na Brasília, a Variant ganhou dois apelidos na época: Varientão e Brasilhão, pelo tamanho maior comparado à primeira geração e o outro por ser bem similar à Brasília. Entre os avanços dessa nova geração estaca na mecânica com a suspensão dianteira McPherson com mola helicoidal e a traseira que apresentava braço semi-arrastado, o que eliminou o grave problema da estabilidade, que melhorou muito, mas havia dificuldades no alinhamento de direção, o que ajudou a matar a segunda geração da Variant. A Variant II foi na verdade, uma "reciclagem" de vários VW's nacionais. O visual remetia muito à Brasília e os bancos eram iguais ao do Passat. O motor era 1.6 refrigerado a ar também era igual ao da Brasília e rendia 67cv de potência e tinha velocidade máxima de 138km/h e de 0 à 100km/h em longos 19 segundos.


Para muitos, a segunda geração da Variant nem era para ter sido lançada, já que estava em projeto a Passat Variant, que poderia ter sido um modelo mais bem sucedido que a Variant II que arranhou a imagem da station da Volkswagen. A produção da segunda geração da Variant ficou menos de 3 anos em linha. Sobre a escolha entre a Passat Variant e a Variant II, fala-se que a opção pela Variant II deveu-se à melhor eficiência da tração traseira em subidas enlameadas, já que o Brasil eram um país tropical, o modelo se daria melhor nestas condições que a station do Passat. O outro boato é que sairia mais em conta para a Volkswagen produzir a Variant II que a Passat Variant, já que a segunda geração da Variant utilizava e muitos itens da consagrada Brasília como portas laterais, para-choque traseiro, faróis e lanternas, indicadores direcionais dianteiros, para-brisas dianteiro, além de uma série de pequenos detalhes internos de acabamento.


Com vendas que desapontaram a Volkswagen, ela durou pouco no mercado saindo em 1982 junto a Brasília que seria substituída pela station do Gol que já estava em projeto desde 1980, que seria o mais novo lançamento da marca, onde meses depois chegaria a Parati que seguiria o legado deixado pelo modelo, mas que dessa vez deu certo e foi um grande sucesso. Mesmo com o fracasso da segunda geração, a Variant foi um grande sucesso no Brasil como em outros países. Assim como a Brasília que foi um sucesso tanto no Brasil como no México, que chegou até a participar da série "Chavo del Ocho" como o carro do "Sr.Barriga". Entre 1969 até 1981 a Variant vendeu 297.762 unidades, número bem menor que a da Brasília que chegou a vender o triplo que a Variant.


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